O uso de papel higiênico perfumado (e às vezes colorido) é um hábito comum para muitos. Apesar de serem mais caros, alguns acreditam que esse tipo de papel é mais eficaz na eliminação de odores. Mas será que é mesmo? Existem riscos associados ao uso de papel higiênico com fragrância?
O uso de papel higiênico perfumado é prejudicial?
Uma especialista em ginecologia e obstetrícia e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), em Portugal, reconhece que é comum as mulheres temerem que a falta de higiene na zona genital possa levar ao desenvolvimento de odores desagradáveis e infecções, razão pela qual recorrem a produtos como o papel higiênico perfumado.
No entanto, a ginecologista ressalta que “produtos de higiene perfumados podem estar associados à irritação da pele“. Portanto, ao sentir qualquer sintoma de irritação ou alterações locais, o uso de papel higiênico perfumado “deve ser evitado”.
Segundo a professora da FMUC, o mesmo se aplica ao papel higiênico colorido. “Muitas vezes, torna-se difícil estabelecer uma relação de causa e efeito“, mas na visão da médica, na presença de sintomas, interromper o uso destes produtos é uma abordagem prudente.
Na mesma linha, um texto do Centro Médico da Universidade de Rochester (URMC) recomenda que uma das medidas para prevenir a “inflamação ou infecção vaginal” é evitar “produtos químicos”, como “sprays vaginais”, “papel higiênico perfumado” e “absorventes internos perfumados”.
Outras medidas preventivas mencionadas no contexto da higiene incluem: a ducha vaginal só deve ser feita com recomendação médica, pois este é um procedimento “raramente necessário” e que pode “desequilibrar a flora vaginal”. Recomenda-se também “lavar a zona vaginal externa (vulva) diariamente com sabonete neutro e sem perfume”, mantendo-a “o mais seca possível”.
Além disso, aconselha-se “limpar-se da frente para trás após a evacuação”, pois isso ajuda a prevenir a propagação de bactérias do ânus para a vagina. Se usar absorventes internos durante a menstruação, é essencial “trocar o absorvente com a frequência indicada na embalagem”, conforme consta no mesmo texto.
Em outro artigo publicado pela Harvard Health Publishing, menciona-se que “em indivíduos sensíveis, produtos químicos e medicamentos aplicados na zona anal podem causar irritação local ou reações alérgicas“. Nota-se que “alguns dos principais culpados são os corantes e perfumes utilizados no papel higiênico“, “sprays de higiene feminina” e “outros desodorantes para a área ao redor do ânus ou órgãos genitais”, “talcos” e “produtos de limpeza da pele”, especialmente os perfumados.
Como escolher o papel higiênico ideal?
Maria Carvalho explica que a higiene genital ideal “deve combinar água – que remove partículas hidrossolúveis – com um agente capaz de remover partículas sólidas e resíduos lipossolúveis”. No entanto, ela reconhece que “como não é possível usar água e agentes de limpeza durante todo o dia, o acesso ao papel higiênico é inevitável”.
Como esclarece a ginecologista, “a escolha do papel higiênico mais adequado dependerá da resposta individual”, considerando que “os produtos utilizados devem ser seguros, contribuir para melhorar o conforto e a higiene”. Além disso, enfatiza que “os produtos de limpeza não se destinam a esterilizar a região anogenital”, mas sim “a eliminar resíduos e secreções que podem levar à colonização bacteriana e infecções”.
Idealmente, estes produtos não devem irritar nem ressecar excessivamente a zona para evitar a alteração da camada lipídica, mantendo também um “pH ligeiramente ácido”. Isto porque, “quando ocorre irritação local, os mecanismos de defesa não funcionarão de forma sinérgica, o que pode contribuir para infecções e outras alterações cutâneas”, conclui a especialista.
E agora, você já sabe qual caminho escolher para uma melhor higiene íntima? Não restam muitas dúvidas, certo?
Fontes de Informação:
- Papel Higiênico Perfumado e Irritação Cutânea: Potencial e Prevenção
- Vulvovaginite – Inflamação e Irritação Vaginal
- Vaginite: Causas, Sintomas, Tratamento e Prevenção
Aviso Médico
Este artigo é apenas para fins informativos e não substitui o aconselhamento, diagnóstico ou tratamento médico profissional. Sempre procure a orientação do seu médico ou outro profissional de saúde qualificado para qualquer dúvida que possa ter em relação a uma condição médica.
